segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Matando a saudade

Com Boris e Dominique no sítio, as minhas visitas ficaram mais escassas. O acesso é ruim, e nem sempre estou disponível quando Eric vai lá, geralmente no meio da semana.
Foi em uma dessas idas que ele me ligou novamente. Dominique não estava se alimentado e, muito possivelmente, estava sentindo a nossa falta. Já passava dos 40 dias sem vê-los e, mais uma vez, reorganizei minha agenda e fui para Jacuípe, para de lá, ir ao sítio.
Quando convivemos muito com uma pessoa é difícil perceber as mudanças mais aparentes. Ganho ou perda de peso, cabelo, altura, etc. Com os pastores não foi diferente. Eles tinham triplicado de tamanho. Boris fazia xixi quando nos via e Dominique chorava como se estivesse levando uma zurra de toalha molhada.
Se despedir mais uma vez foi de cortar o coração, ainda mais de tê-la alimentado com as minhas mãos. Acho que nunca vi olhar mais doce em qualquer ser vivo na terra. As visitas se intensificaram e pelo menos de 20 em 20 dias eu voltava a vê-los. Eles estavam cada vez mais selvagens. Corriam para dentro da mata e se jogavam no rio como se tivessem feito aquilo a vida inteira. E estavam sempre alertas. Barulhos indetectáveis por nós, era motivo para latidos alvoraçados e dentes a mostra. Alguns minutos depois a razão do barulho aparecia ainda muito distante da casa. às vezes outro cão, ou simplesmente uma pessoa passando do outro lado da margem do rio.





Agora, os nossos filhotes eram lobos, enormes. Lindos, independentes...

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