Nunca gostei muito de Barra do Jacuípe. Sempre achei um lugar meio
chato. Nunca fui fã de praia também. Ir para Jacuípe sempre significou ir à
praia, dormir , acordar , comer e dormir de novo. Com a chegada dos filhotes as
coisas mudaram um pouco. Tenho vontade de ir à Jacuípe todos os fins de semana.
Pelo menos o tempo que eles ficaram por lá.
Meu irmão precisou
viajar a trabalho no início de Dezembro e em uma tarde de terça-feira me ligou. Ia colocar os filhotes
em um hotel desses para cachorros. Seria uma semana, mas não pensei duas vezes.
Passei a ir e voltar de Jacuípe para Salvador, todos os dias. Eu acordava cedo,
limpava-os, alimentava-os, passava mais ou menor uma hora em um ônibus para ir
trabalhar e pelo menos uma hora e meia para voltar, e Jacuípe se tornou o
melhor lugar do mundo.
Na quinta-feira me
atrasei e cheguei em casa já à noite. As luzes estavam apagadas e à medida que
ia me aproximando deles, no escuro, percebi uma tensão no ar. Boris estava em
pé, em silêncio, mas alerta. Era de certa forma engraçado, um filhote de
noventa dias com tanta altivez e prontidão. Aproximei-me mais um pouco e os
pequenos dentes ferozes rosnavam e latiam com muita propriedade em minha
direção. Quando enfim cheguei perto e disse "Ei, garotão, sou
eu" e acendi a luz, algo mágico e instantâneo aconteceu. Os dentes
sumiram, o os pelos eriçados do pescoço baixaram e o corpo do meu pequeno
protetor relaxou. Era, de novo, apenas o filhote que tremia
com relâmpagos e trovões. Mas ele nunca mais ele deixaria de ser, o
cão de guarda da nossa família.

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