segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

06 de Dezembro de 2012 - 50 dias

 Os filhotes crescem como bolo no forno  feito com fermento bom. Passar mais de dois dias longe deles é quase uma tortura. Sinto falta do choro às 4h30, do cheiro de cachorro e da carinha de alegria quando vamos saudá-los aos primeiros raios de sol.

Mamadeira, papinha, ração. Sei que não devia me apegar, mas começo a pensar para mão de quem, cada um deles vai. Se vai tratar com o mesmo carinho e dedicação que estamos direcionando a eles por mais de trinta dias.

As personalidades começam a aparecer e se antes era uma loucura tentar identificar cada um deles, agora é impossível confundi-los.  Os machos (3) começar a dobrar de tamanho mais rápido que as fêmeas (4).
O Grandão, o Rabinho, o Malvado. A Dengosa, A Malcriada, A Barriguinha e a Cotozinha.

Eu poderia passar o dia aqui explicando o porque dos apelidos, mesmo não querendo nomeá-los, pois não teria razão de fazê-los se todos eles terão que ir embora. Basta dizer que estão todos saudáveis, vermifugados, medicados, com acompanhamento de veterinário quinzenalmente e ... impossíveis!

O espaço começa a ficar pequeno e como toda criança feliz, eles brincam agitadamente até ir caindo cada qual no seu cantinho para dormir, exaustos.

Cuidar dos sete está ficando cansativo. Assim que acabamos de limpar o trabalho de um, trocamos o jornal, desinfetamos o lugar da sujeira, recolocamos o jornal limpo e sentamos, vem outro e "batiza" o que estava recém organizado e tudo começa outra vez.

Eles têm acordado cada vez mais sujos, por conta da quantidade de ração que agora ingerem. Mas observá-los tem sido a melhor terapia que encontrei nos últimos meses. E apesar de cansativo,  é um trabalho, extremamente, prazeroso.

Eles são, extremamente, dóceis.  Tenho ido e voltado de Barra do Jacuípe para Salvador, praticamente todos os dias durante a semana. Fico contando os segundos para voltar para casa e esfregar o meu nariz no pelo que fede a cachorro molhado. Felizmente, o melhor cheiro do mundo.

Me sinto muito inclinada a ficar com um deles, em especial. Mas isso mudaria toda a minha rotina. Se bem que, acho que já passou do tempo da minha rotina mudar. Vejamos o que acontece...


Surpresa!

Quando achei que estava começando a me acostumar a vê-los pouco, eis que chega a novidade: "Dominique teve 10 filhotes!" - "Hein?", "Como assim?"



Não quero me alongar nessa postagem, pois quanto mais a gente convive com o ser humano, mais feliz eu estou entre os animais!
Resumidamente, o caseiro que tomava conta deles e do sítio, permitiu que Dominique engravidasse (pois não deu o anticoncepcional  que ela deveria tomar), ela emprenhou, teve a ninhada e não me passa pela cabeça, por que cargas d'água, aquele infeliz não nos contou. Prefiro pensar que ele esqueceu!


 Dos 10, sete sobreviveram, mesmo com as condições insatisfatórias que o infeliz ( acho que é um nome muito acertado para essa criatura!) os estava mantendo. Até hoje me pergunto o que segurou meu irmão de não fazer uma besteira.

Enfim, para cuidar dos novos pequenos, Eric os levou para Barra do Jacuípe e aí, acho que você já sabe o que aconteceu... Barra do Jacuípe, aí vamos nós outra vez!













Matando a saudade

Com Boris e Dominique no sítio, as minhas visitas ficaram mais escassas. O acesso é ruim, e nem sempre estou disponível quando Eric vai lá, geralmente no meio da semana.
Foi em uma dessas idas que ele me ligou novamente. Dominique não estava se alimentado e, muito possivelmente, estava sentindo a nossa falta. Já passava dos 40 dias sem vê-los e, mais uma vez, reorganizei minha agenda e fui para Jacuípe, para de lá, ir ao sítio.
Quando convivemos muito com uma pessoa é difícil perceber as mudanças mais aparentes. Ganho ou perda de peso, cabelo, altura, etc. Com os pastores não foi diferente. Eles tinham triplicado de tamanho. Boris fazia xixi quando nos via e Dominique chorava como se estivesse levando uma zurra de toalha molhada.
Se despedir mais uma vez foi de cortar o coração, ainda mais de tê-la alimentado com as minhas mãos. Acho que nunca vi olhar mais doce em qualquer ser vivo na terra. As visitas se intensificaram e pelo menos de 20 em 20 dias eu voltava a vê-los. Eles estavam cada vez mais selvagens. Corriam para dentro da mata e se jogavam no rio como se tivessem feito aquilo a vida inteira. E estavam sempre alertas. Barulhos indetectáveis por nós, era motivo para latidos alvoraçados e dentes a mostra. Alguns minutos depois a razão do barulho aparecia ainda muito distante da casa. às vezes outro cão, ou simplesmente uma pessoa passando do outro lado da margem do rio.





Agora, os nossos filhotes eram lobos, enormes. Lindos, independentes...

sábado, 8 de dezembro de 2012

Despedida


O que pareceram longos períodos, olhando daqui, até que foram muito curtos. Meados de Dezembro de 2010, nos despedimos dos filhotes. Eles iriam para nova morada: o sítio. A Casa de Jacuípe já não tinha a estrutura e espaço que eles precisavam. E como eles cresciam rápido.  A cada novo fim de semana eles pareciam dobrar de tamanho. O pelo estava cada dia mais bonito e a personalidade de ambos se definia de maneira muito marcante. Boris, tinha o jeito meio atrapalhado, até meio bobão. Por vezes, caíamos na gargalhada observando esse grandalhão dormir com o focinho enterrado no pote de água. E então ele acordava, desesperado, por não conseguir respirar. Sem entender o que tinha acontecido e com muito calor, ele enterrava o focinho na água outra vez para dormir e passados alguns segundos acordava d enovo. Era patético, mas ao mesmo tempo adorável. Já Dominique, era a pequena lady. O porte era de uma "dama". O Andar , o olhar , o jeito de se chegar na gente e pedir carinho. Um poço dengo. E pirraça. O prazer era brincar de morder Boris até o pobre gritar de dor. 
Achava Dominique uma cadela lindíssima, até Boris crescer. Eles eram, e são, lindíssimos. Mas não podíamos mantê-los em Jacuípe. Então, na manhã do sábado de 18 de Dezembro, os embarcamos no caro e levamo-nos para o sítio. A Viagem não foi muito agradável. Eles enjoaram bastante. E tremiam. Por vezes tive vontade de pedir a meu pai e Eric que voltassem com o carro e desistíssemos daquela ideia. Mas eles estariam indo para um lugar melhor. Com muita área verde para correr e crescer saudáveis.
O sítio era um paraíso, mas a distância entre nós aumentaria muito. Eles já não estariam disponíveis para mim todo fim de semana. E já não poderia estar com Boris em noites chuvosas ou com Dominique correndo pela grama em um dia sol.
Dizer tchau no fim da tarde foi difícil. Mas os deixamos em boas mãos. Eles seriam bem cuidados e em breve estaríamos juntos de novo. 

Enfim sós


Nunca gostei muito de Barra do Jacuípe. Sempre achei um lugar meio chato. Nunca fui fã de praia também. Ir para Jacuípe sempre significou ir à praia, dormir , acordar , comer e dormir de novo. Com a chegada dos filhotes as coisas mudaram um pouco. Tenho vontade de ir à Jacuípe todos os fins de semana. Pelo menos o tempo que eles ficaram por lá. 
Meu irmão precisou viajar a trabalho no início de Dezembro e em uma tarde de terça-feira me ligou. Ia colocar os filhotes em um hotel desses para cachorros. Seria uma semana, mas não pensei duas vezes. Passei a ir e voltar de Jacuípe para Salvador, todos os dias. Eu acordava cedo, limpava-os, alimentava-os, passava mais ou menor uma hora em um ônibus para ir trabalhar e pelo menos uma hora e meia para voltar, e Jacuípe se tornou o melhor lugar do mundo.
Na quinta-feira me atrasei e cheguei em casa já à noite. As luzes estavam apagadas e à medida que ia me aproximando deles, no escuro, percebi uma tensão no ar. Boris estava em pé, em silêncio, mas alerta. Era de certa forma engraçado, um filhote de noventa dias com tanta altivez e prontidão. Aproximei-me mais um pouco e os pequenos dentes ferozes rosnavam e latiam com muita propriedade em minha direção.  Quando enfim cheguei perto e disse "Ei, garotão, sou eu" e acendi a luz, algo mágico e instantâneo aconteceu. Os dentes sumiram, o os pelos eriçados do pescoço baixaram e o corpo do meu pequeno protetor relaxou. Era, de novo, apenas o filhote que tremia com relâmpagos e trovões. Mas ele nunca mais ele deixaria de ser, o cão de guarda da nossa família.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Boris e Dominique

Sempre quis ter um cachorrinho. Nunca consegui. Lembro que ainda pequena pegava os cachorros na rua e escondia no quartinho do vigia do prédio de três andares onde morava. Sempre moramos em apartamento e meus pais nunca permitiram animais em casa. Minto. Tentamos uma preá, que cagava tudo, uns passarinhos e uns peixinhos ( os Beta eram os mais legais, porque colocávamos para brigar e de vez em quando um pulava para o aquário do outro arrancando um pedaço do rabo doutro. Um monte de ação!).

Queria na verdade um cavalo. Talvez por isso goste tanto dos cachorros de grande porte.
Meu primeiro grande amor se chamava Mumu, um boxer de pelagem caramelo da minha amiga Maisa. Era uma alegria quando ia até a casa dela e rolava no chão com aquele cachorro enorme e até um pouco "ababacado".

Tudo mudou quando em Novembro de 2010, Eric, meu irmão , levou para casa Boris e Dominique, um casal de Pastor Alemão com 30 dias de vida. A entrega foi imediata. Abro esse blog com a foto deles quando os conheci. Uma jornada de novas descobertas serão a tônica das próximas postagens... Venha conosco.